29.11.09

Chá com burburinhos.


Única, querida, autêntica, esplêndida, doce... há infindáveis adjetivos para descrever minha paixão por Audrey Hepburn, eu poderia dedicar um post inteiramente a isso.

O Cine Freud está chegando a seu primeiro mês de vida, e jamais poderia concluir estes trinta primeiros dias sem trazer uma obra dela.
Eu me questiono quanto ao que pode determinar a autenticidade em uma pessoa... não tenho nenhuma resposta específica. Mas acredito que há fatos, pessoas e lugares que serão eternamente lembrados. Audrey será eternamente lembrada, e isso é fato.
O filme que apresentarei mostra-nos o desdobramento da linguagem. Fofocas? burburinhos, ti ti tis, bafonétys? Isso, fia! é disso mesmo que me refiro.
1961! sim, no mesmo ano do cláááássico Breakfast at Tiffany's, o diretor William Wyler apresentou "The Children's Hour" | Infâmia | - foi o último filme preto & branco da Audrey.

Uma professora!
Exatamente: Audrey faz Karen Wright, uma educadora de um colégio particular para meninas na Nova Inglaterra que trabalha com Martha Dobie | Shirley MacLaine |. Elas não apenas realizam tarefas em comum, mas mantém uma terna amizade.
Imagine que entre estas meninas há uma ou outra pentelhinha... sim, conheçam Mary Tilford e saberão do que me refiro, pois é a partir das reações desta guriazinha que a história terá todo o seu desdobramento.
 
Após portar-se inadequadamente, Mary elabora um discurso bem estruturado para justificar sua ação. Crianças são ensinadas a não mentir, mas a dita-cuja em questão burla esta regra sem dificuldade alguma.
Pressionada pela avó, Mary acusa as duas professoras  de manterem um relacionamento homossexual as escondidas.
Eu disse que viriam ti ti tis!
Pessoas, nos referimos à 1961! imagine como esse  discurso seria assimilada por uma sociedade absurdamente convervadora! e a fala dela foi bem estruturada sim, justificando que Martha sentia-se frustrada, mordia-se de ciúme do relacionamento de Karen com o Dr. Joe Cardin | James Garner |.

Burburinhos são burburinhos mediante o consentimento grupal. Me explico: uma fala egocêntrica não é capaz de produzir os efeitos que uma fala compartilhada.
A acusação de Mary rapidamente tornou-se conhecida entre os responsáveis pelas demais meninas. Consequentemente, em torno de dias a escola esvaziou-se.
A vida de ambas educadoras tornou-se conturbada. Seria preciso recorrer a um processo jurídico para justificar a não-ação. Assim, o cenário se altera, uma casa antes habitada e alegre, torna-se monótona, silenciosa, marcada pelo vazio.

É interessante refletir a relação entre a linguagem e censura.
Desde o início, a Psicanálise abordou questões que socialmente eram tidas como imorais, como pertencentes ao patamar mais inferior da condição humana. Isso retrata um conflito com a censura social, a qual constantemente visa ajustar o sujeito.

No final de "O mal estar na civilização", Freud fala sobre a existência de um Supereu cultural, o qual determina como os grupos devem portar-se, o que é lícito ou não. Isso mostra-nos que a mesma ação tirânica da instância que regula a conduta de um único ser, aplica-se ao grupo.

Acredito que hoje em dia, as esferas sociais ainda exercem muito bem essa função castradora: os sistemas religiosos (com grande deslocamento e convidativamente) e o sistema educacional cumprem este papel. São autoridades que baseiam-se na concepção de que, aquilo que é distanciado, é inócuo (não causa dano).

Acho significativo pensar que se este Supereu cultural contribui para "uma civilização melhor" com pessoas mais contidas, simultaneamente também impede o sujeito de um conhecimento de si e de seus próprios desejos. Aliena? sim, pois bloqueia e se compraz com o não-dito.

Pretendo em breve voltar a discutir este assunto aqui.

Mas enfim... super procuro alguns filmes da Audrey que ainda não assisti. Tens alguns para compartilhar? me diga! também posso compartilhar aqueles que tenho comigo.

Super obrigado pelo incentivo, carinho e reciprocidade, meus queridos seres pensantes!

Renato Oliveira

22 comentários:

ॐ Camila Anastasi disse...

acredito que tenha visto esse filme, e se é exatamente o que me recordo, ele com certeza é muitissimo bom!

Entao, quando eu souber de algum filme nacional tao bom quanto esse que te disse, te deixarei a par sobre eles!

Obrigada pelos elogios!
e desculpe-me por nao estar postando nada bom no momento, mas to com a vida bem corrida!

boa semana!

Vanessa Souza Moraes disse...

ADORO a Audrey!

É minha musa inspiradora.

Não assisti o filme e por isso não posso comentar muito. Farei-o depois de assistir.

Beijos.

Cenira de Mello disse...

Renato!

Admiro tudo que escreve e como cria, incentiva, agradece, disponibiliza e valoriza tudo que dá e recebe.
Amo as letras:"TI,TI,TIS, FIAS, VAMÔ QUE VAMÔ!"
Quanto ao filme, Eu não assisti, mas o tema HOMOSSEXUALIDADE segundo meu PROFESSOR JOSÉ LUIS CAON é uma das estruturas mais difícil.
FREUD, teve coragem, sofreu,buscou respostas e conseguiu se libertar e VIVER ANTES DE MORRER de Cancêr. Trabalhando suas questões: Matou a IMAGEM que ele via no espelho e se abraçou. Se hoje estou aqui te escrevendo foi graças aos desconfortos, Neurose, coragem desse HOMEM : SIGMUND FREUD. Hoje, posso me abraçar cada dia um pouco mais e sentir esse abraço.
Abraço
Cenira

Cristiano Contreiras disse...

Meu Deus, Renato

este filme eu falarei em breve no Apimentário!

eu simplesmente venero, sou fã, é um dos meus prediletos.

E voce focou otimos aspectos da trama!

parabens pela resenha do blog!

Tati disse...

Oi Renato!
Foi bom vc ter tocado nesse assunto.Acabei esquecendo de colocar o local de onde tirei as imagens.É sempre bom citar.
Mas propagandas antigas são lindas mesmo.Tem aquele ar retrô... eu adoro!Tb as coleciono e tenho várias,mas não publiquei todas,senão o post iria ficar imenso!
Bem esse dá uma olhada aqui
http://www.propagandasantigas.blogger.com.br/
Tirei quase todas de lá.

Marcia Freddy. disse...

Com certeza dessa vez você me matou do coração!

Com certeza é um cláaaaasico! - rsrsrs

Parabêns!

E é um dos filmes que mais gosto da Audrey!

Carol disse...

Ah, primeiramente, muito obrigada pelos elogios no meu blog! Fiquei muito feliz ao ler o seu comentário...

Pois bem, entrei no seu blog, e dou de cara com um post da Audrey Hepburn! Eu sempre tive meus momentos de adoração por algum diretor, músico, artista, e meu momento agora é da Audrey Hepburn! haha Ainda não tive oportunidades de assistir muitos filmes dela, assisti só Bonequinha de Luxo e Sabrina, mas é (era) além de uma atriz exelente, uma linda mulher! E os filmes dela ficam na cabeça durante dias...

Parabéns pelo blog! Vou passar a frequentar sempre... Adorei os textos, imagens...

Beijoos

Izzy disse...

E nessas férias eu prometo que lerei seus posts por completo...
E bem, nasci em São Paulo, mas vivo no interior.
E quanto a queimar coisas, acho que sou sortuda.
Nesse instante estou lendo uma pilha de matérias, tenho duas provas.
A propósito, bem que podia me ajudar em neuro hahaha, acho que vou pegar DP dessa matéria, mas enfim.
Boa quarta para você e que meu dia comece, por que hoje não durmo...
Beijos!

EFS*** disse...

Sempre procuro bons filmes para assistir, e de repente bate aquela sensação de trabalho inutil... mas logo depois a impotencia de nao ter nascido nos anos dourados do cinema, quando o que era bom estava na tela...

Excelentes postagens!

Cenira de Mello disse...

Renato.

O calor do meu abraço, me permite reconhecer o valor do calor e do sabor do Teu delicioso chá!!!
Amei estar aqui.
Até breve!!
Abraço

Marcia Freddy. disse...

Oi Renato! Obrigada mais uma vez pelo comentário.
O site de fato não conhecia, na verdade conheço um outro que tem fotos delas maravilhosas! - Um site totalmente em tributo a Audrey.

Lua de Fel! - Hmmm.... - Honestamente esse filme não me agradou em nada. - Digo sempre que Polanski não estava nos seus melhores dias... - Enfim, dps quero saber o que achou. Mesmo assim bom filme - uhauhauhaau.

Infelizmente não tenho nada sobre de material sobre o filme, mais, posso ver isso para você o quanto antes. - Será um prazer!

Passe no meu blog, pois, tem presentinho para você.
É minha pequena maneira de agradecer ao seus comentários sinceros e visitas!!

Bjoss!!! :P

Helena Castelli disse...

Lindas fotos!

Passando... e deixando um beijo e votos de felicidade sempre para voce.

Beijos de boa tarde.
Helena

Thi Moraes disse...

olaa
vim agradecer o seu comentario na minha cronica sobre lua de fel...na verdade ali é apenas uma parte do q escrevi, um trecho de um trabalho para o curso de cinema e psiquiatria q fiz recentemente! espero ter ajudado no seu trabalho, depois publica ele aqui! ;)

achei mt legal mesmo a proposta do seu blog...confesso q li mt pouco, estou naquela maldita semana de provas, na maior correria! aparecerei aqui mais vezes! um abraço e sucesso! ;)

Cintia Carvalho disse...

Oi Renato!

Em primeiro lugar, me desculpe pela demora me lhe responder.

Em segundo, obrigada pela visita ao cinecabeça e por ter me adicionado. Apareça lá sempre que desejar.

Em terceiro, sua idéia de criar um blog que fala de cinema, mas focado nos aspectos psicológicos de suas tramas e personagens é algo novo para mim. Uma idéia muito original e ótima. Afinal, vc tera a oportunidade de falar sobre detalhes e características, que muitas vezes não observamos em um determinado filme. Parabéns pela maravilhosa idéia.

Outra coisa super legal, vc tem um gosto cinematográfico muito bom, pois não é qualquer um que gosta e entende o filme: "Não amaras". Eu particularmente, sou fã do KK e adoro todos os outros filmes dirigidos por ele. Sua abordagem sobre a trama está muito boa e seus questionamentos interessantes e reflexivos. Gostei mesmo.

E sobre os outros filmes que vc escreveu, um eu desconhecia que é o do Roman Polanski. Uma dica que anotei e vou procurar aqui na minha terra para ver.

"Bem me quer, mal me quer", tive a chance de ver na casa de uma amiga. Ela alugou e vi com um grupo de amigos. De cara gostei da história e do tema. Audrey Tatou se saiu bem, fazendo o papel de uma mulher que fantasia uma história de amor. O filme narra bem a obsessão dela por aquele homem. No meio percebemos que tudo não passa de uma loucura. E o que mais me chamou a atenção foi que ela, indiretamente conseguiu destruir a vida do cara, sem ele saber e perceber. Somente no final ele se da conta. Isso me fez pensar no fato de que algumas pessoas podem destruir a vida de outras. Muito complexo.
E vc abordou muito bem este tema.

Ah e seu texto sobre Audrey Hepburn ta muito legal. Eu sou fã deste atriz, uma das melhores que ja existiu. Vi este filme há muitos anos quando ainda era uma adolescente. E vi o mesmo que vc, o tema para a época foi ousado e suas ponderações sobre ele corretas e coerentes. Como numa questão de segundos uma atitude pode destruir a vida de alguém.

Nos dois filmes que vc citou, situações diferentes, mas que falam da mesma questão.

Parabéns pela iniciativa e sempre que eu puder passarei aqui para ler suas observações sobre os filmes.

Um abraço.

Paula Maximiano. disse...

Cara, que resenha incrível. Audrey sempre foi uma atriz de natureza marcante.
Adorei seu blog. Surpreendente singular.
Agora te sigo.

Dil Santos disse...

Oi Renato, tudo bem com vc?
Parece ser bom o filme e ela uma atriz magnifíica.
Que bom que gostou do meu blog, digo o mesmo do seu.
Sigo-te tbm
Abraços
:)

Renato Hemesath disse...

Em OFF por alguns dias.

Manutenção? reforma do estofamento?
Não, não!

Motivos acadêmicos! o anfitrião que vos fala tem uma sééérie de coisas a escrever e trabalhos a revisar até o dia 14/12. . . enfim, o protótipo do "mal estar na instituição".

Portanto. . . o Cine Freud ficará sem novas projeções por mais alguns dias!

Resistência? jamais!

PREPAREM-SE: aqui estou elaborando novos tricôs e ti ti tis!
Em breve.

Super obrigado.

Renato Hemesath

Gustavo Santiago disse...

Renato já tinha conta no farra sim.
Excelente site não? então bixo queria saber qual programa tu assite teus filmes baixados, porque o meu aqui não deu brother.

Marcelo A. disse...

Oi, Renato!

Cheguei aqui através de uma grande amiga, a Cintia, do Cinecabeça. Gostei muito de tudo que li e pode apostar que volto mais vezes...

A Audrey é mesmo maravilhosa. Grande atriz, símbolo de elegância e, acima de tudo, exemplo de humanidade. Ela lutou por várias causas humanitárias, mundo afora...

"Infâmia" é um dos meus filmes preferidos. Não só por ela, mas também pela McLane, de quem gosto muito. Quem não assistiu, tem de vê-lo depressa. É o exemplo do que uma mentira pode fazer com uma vida. E o final?! Bom, não vou falar para não estragar a surpresa...

Você falou em outros filmes da Audrey? Putz, há tantos! Amor na tarde, Um Clarão nas Trevas, Guerra e Paz... Podia citar um monte, gosto muito, muito mesmo dela...

Também tenho um blog, só que ele não fala de cinema, mas, vez ou outra, acabo não resistindo e comento algum filminho que vi. Se puder me honrar com sua visita:

www.marcelo-antunes.blogspot.com

E o seu blog me lembrou um livro que li há muitos anos atrás, no primeiro período da faculdade. Chamava-se "Os Filmes Que Vi Com Freud"...

Bom, falei demais!

Abração e sucesso!

Anônimo disse...

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