13.11.09

No mínimo, perturbado.

Sexta-feira 13. Gatos pretos, dentes de alho, abóboras? Nada disso! mas sim: um coelho em conserva, destinado a estado de apodrecimento.

Aqueles que já assistiram Repulsion | Repulsa ao Sexo |, sabem do que me refiro.
Em outra ocasião, estávamos em meio a muitas cores, botões de rosa e harmonia. Agora o cenário altera-se completamente. Tensão, longos delta t (intervalo de tempo), e coisas pouco compreensíveis. Se você fez uma analogia com a situação analítica, diga-me depois.

Roman Polanski dirigiu este suspense em 1965, no qual deixá-nos alguns porquês. Em um ambiente ermo, Carol Ledoux | Catherine Deneuve | é uma jovem que embora muito atraente, vive um cotidiano comum: trabalhar como manicure, fazer uma breve caminhada até o local de almoço e ir para casa.
Suas expressões, seu olhar enigmático e sua metódica fala, nos faz atentar para cada detalhe. É como se, cada um deles fosse expressar um significado depois. Ou seriam significantes vazios? enfim, "viagens minhas".
O prédio no qual ocorre maior parte do filme é muito interessante também, daqueles que você gostaria de estar e ler um livro (ÔH!). Polanski sabe selecioná-los muito bem. Lembram-se de O Inquilino ?

Carol mora com sua irmã Helène | Yvonne Furneaux |, mas são absolutamente diferentes. Esta é super despojada, nada introspectiva. O filme retrata dois tempos principais: presença e ausência da irmã. Momentos de maior iluminação e claresa, e momentos de ausência de luz e enigmas.

Sua relação com o namorado Colin | John Fraser | é um pouco conturbada também, ambivalente até, diria. As fias já entenderam que o filme narra polaridades. Sim, me explico: sua relação com ele é marcada por presença e distanciamentos, idas e vindas, desejo x asco?
Acho interessante dizer que o contato com ele apresenta um certo temor. Essa percepção se estende às demais pessoas que convive, as quais são hostis à ela. Há um comprometimento social.
Isso me faz pensar que muito provavelmente o outro lhe incomoda, pois a remete a essência de seu conflito, o desejo sexual.

Eu falei que haviam dois momentos principais, lembra né?
Pois bem, gostaria de destacar o segundo como um eixo central. Ausência de luz? simmm... com a viagem de Helène, o apartamento torna-se sombrio. Alucinações, espanto, e vozes circundam os dias de Carol, os quais são vividos ali dentro mesmo. Ela priva-se do contato com a realidade externa, o que potencializa os maiores horrores apresentados.
Chega um momento, em que tu não tens mais noção do que é fato e concreto, com o que é fantasmático!
E aquela cena no corredor? com braços a tentar pegá-la? meldels.

De maneira elegante e com ar surrealista , o diretor aborda alguns dos temas mais debatidos na Psicanálise, desde Freud até hoje: a sexualidade, o desejo, e os valores morais como força repressora.

Em "Moral sexual civilizada e doença nervosa moderna", Freud busca explorar um pouco mais os tabus da sexualidade feminina, assim como as consequências das restrições religiosas quanto a virgindade. Assunto super conflitante, atualmente, não mudou tanto.
Mas... voltando à épocas da análise dos primeiros casos de histeria, era observado a dificuldade daquelas mulheres em "dar um passo a frente". O outro enquanto objeto de desejo, também era tido como ameaça, pois remetia ao conflito. Esse psiquismo que necessita dar conta da tensão, busca os meios mais drásticos possíveis: negação, sublimação, recalque.

What? quanto mais conflitante for o desejo, maior será o trabalho da censura, visando de algum modo, satisfazê-lo. É necessário deformar muito bem, eu diria. Assim: sintomas, pesadelos e agressões ao eu, podem ser tri-prazerosos. Uma vez que, exercem o trabalho de distanciar-se da verdadeira essência do desejo.

Em Repulsion, muitos símbolos, fatos e ocorrências permanecem enigmáticos. Este é o legal do filme: a possibilidade em cada um assimilá-lo como achar preferível.
É uma obra que classificaria como... única! (:

Se quiserem baixá-lo, já sabem: dê um grito que eu disponibilizo a ti.

Ah, ótima sexta à todos! Com muita SORTE.

Renato Oliveira

17 comentários:

Talita Barboza disse...

Oi Renato!
Obrigado pela visita!
Sim, não é um curta perfeito, são jovens estudantes com 3 meses de curso. Esse foi um defeito na hora da gravação e a cena em que mostrávamos o circo (lugar onde o menino queria ir) não pode ser usado. Pena!
Mas valeu! :)

Talita Barboza disse...

Ah gostei do seu blog tbm!
Bem bacana!

Marcia Freddy. disse...

Primeiramente quero dizer que eu achei muito interessante seus postes principalmente sobre o Repulsa ao Sexo!

Sua proposta em abordar a psicanálise focada nos filmes é magnifica!

Fiquei feliz pela a sua visita pode ficar a vontade em pegar o link-me. Estou retribuindo da mesma força; te seguindo e também linkando-o.

Mais uma vez parabêns!

Tommy disse...

Oi Renatto, é o Tommy do blog El Rodante! Valeu pelo comentario, viu? já estou acompanhando teu blog tbm, super interessante até onde eu li, parabens!!

Vanessa Souza Moraes disse...

Esse filme é incrível!

Belo escrito ;)

Beijo.

Pia Fraus disse...

olá... tem um selo"coracional" para vc no meu blog. adoro aqui!

bjo

Cenira de Mello disse...

RENATO,

Como é bom ler o que escreves tão bem! Claro, objetivo, faz apontamentos pertinentes e aqui vou copiar

"What? quanto mais conflitante for o desejo, maior será o trabalho da censura, visando de algum modo, satisfazê-lo. É necessário deformar muito bem, eu diria. Assim: sintomas, pesadelos e agressões ao eu, podem ser tri-prazerosos. Uma vez que, exercem o trabalho de distanciar-se da verdadeira essência do desejo
Não assisti o filme mas lendo teu comentário me veio o fantasma. A negação da afirmação.
A Negação como um gozo prazeiroso ou destrutivo leva o sujeito A interpretar(inconsciente). Como seria o sujeito despido dos fantasmas, das negações, das interpretações? Ele seria lindo, natural, ser ele mesmo e LIVRE. Mas não é fácil mostrar o que o SER HUMANO tem de mais BELO a "ESSÊNCIA". O Sujeito é lindo quando deixa de agradar a sociedade e começa a abraçar-se.

RENATO: Quanto à SEXTA FEIRA 13 . Eu Amo números ímpares. O treze cair numa sexta. Nada muda!
As surpertições, pragas, inveja, olho gordo, simpatias, benzeduras existem e meu repeito aos que acreditam. Eu acredito em MIM. Nas coisas que escolho para mim produtivas, confortáveis e reais. Assumo as responsabilidades em qualquer dia, hora, lugar.

Tu és muito bom! fico feliz ter te encontrado.
Abração
Cenira

Renato Hemesath disse...

Cenira, querida!
Que perspectiva fina! não havia escrito pensando nesta concepção, mas achei muito interessante a colocação feita por ti.

Realmente, o que seria pensar num sujeito despido dessas "defesas maníacas"? [ como diria Klein ].

Transpondo isso ao filme, seria uma reversão de tudo o que ocorreu. Ao invés da manifestações agressivas, do isolamento e o medo, poderia vir a ser observado reações mais concisas, diria. Na qual, o desejo do sujeito poderia sustentar-se.

Ah, eu também não sou supersticioso. Às vezes, um pouquinho. rs

Bjs

Marcia Freddy. disse...

Olá Renato!! Estou ótima, graças a deus.
Mesmo estão em formação (assim como eu - :P) a seu ponto de vista é impressionante! -

Eu tenho muita curiosidade de saber o seu ponto de vista sobre o filme a Bela da Tarde (já pegando carona nos filmes protagonizados por Catherine Deneuve), porque honestamente ele me causa uma certa perturbação. - Quando fiz a análise eu fiz do ponto de vista cinematográfico (que obviamente não é a mesma coisa), mais tenho um certo interesse em saber do ponto de vista da psicanálise.
Seria possível fazer essa análise? - Não precisa ter pressa! Pode demorar o tempo que quiser -uhauhauahua

Sobre o diretor nunca ouvi falar dele XD, talvez faça cinema ndependente.

Espero que nossas análises ajude um ao outro a ter uma visão diferentes sobre os filmes.

Desculpe a ousadia, mais gostaria de trocar ideias a respeito de assuntos dos mesmos, caso se interessa me add no msn: marcia.freddy@hotmail.com

Beijos! Obrigada mais uma vez pela visita e que você também tenha uma ótima semana!

Fica com Deus!

marcele disse...

olá! que belo blog vc tem... virei sua seguidora =)

obrigada pela visita no _essência_ e fique à vontade!

abs, marcele.

Talita Ribeiro. disse...

Fofo.
Obrigada pela ligação de ontem!
Amei!
Eeeeee..Layout tudão!
Ficou muito bom mesmo, escolheu muito bem!

Xii... que pena que você está assim hoje.
Procura não se expor ao sol, fica quietinho, de molho, que logo passa!

E vê se toma mais cuidado FIA!
Fica a dica!


hahaha.

Beijoconas amor.
Espero te ver em breve!

Talitaribeiro.com.br

JCesar disse...

olá renato...agora, graficamente, quero te parabenizar pelo espaço..divino...da vontade de encontrar aqueles comodos com sofas fofinhos, muitas almofadas...um tapetão...onde os pés somem...bem zen...nada 13..rs...

Renato, não sei se há espaço para custurar aqui na sua 'colcha' os dois selinhos que produzi. São de agradecimento por me seguir.
pode usa-los (repassar para parabenizar) a quem quer que seu coração deseje (sei bem quem não deseja...kkk...uhhhh).
ah...no selo, adicione o hiperlink...é assim.

abraço

aqui tá show... naquele show não, aquiiiiiiii....

Izzy disse...

Sobre as imagens tranquilizadoras, pensando bem sobre isso, acho que a verdade é que ando completamente histérica e nisso tento disfarçar a situação.
Agradeço o elogio (rasgar mais um pouquinho de seda,um elogia primeiro, depois o outro retribui, enfim).
Beijos!

Tati disse...

Oi Renato
Obrigada pela sua visita.Super legal seu blog.
Achei engraçado agora lendo seu perfil essa frase "Vejo o mesmo filme mil vezes, permito-me interpretar algo novo em cada uma delas."pois acabei de rever um filme que já ate decorei as falas mas nao me canso de assistir.Vc entende? =)
Abraços!

Helena Soares disse...

3 coisas:
- amo esse filme,
- onde fazer psico?
- pq teu blog tem um lindo fundo e eu ñ consigo colocar no meu??
obrigada pelo post!
Abraço

Luigi disse...

Muito bacana seu post sobre o filme de Polanski. Pra mim, o melhor dele. Um abraço!

Unknown disse...

Eu quero baixar o filme ... rsrs rs